Vamos tomar um café?

Para muitas pessoas é uma imperativa necessidade diária, uma espécie de estimulante para melhor trabalharem e raciocinarem. Muitas até dizem que sem ele não chegam a despertar por completo… E assim, todas as manhãs, cumprem religiosamente o ritual de tomar um café…

Para outras pessoas é um ato de circunstância, uma espécie de formalidade a cumprir quando estão com alguém. Provavelmente nem são apreciadoras de café, mas não querem deixar de ser simpáticas, ou então convidam na esperança de que a outra parte decline o convite…

Finalmente, para outras pessoas (nas quais eu me incluo) “tomar um café” não é nem uma necessidade nem uma formalidade; é um verdadeiro ato de sociabilidade que não se coaduna com um pequeno intervalo de dez ou quinze minutos. Quando, por exemplo, encontro alguém que já não via há algum tempo e o convido para “tomar um café” é uma maneira de dizer “gostava de estar contigo e conversar um pouco”. E que melhor forma de conversar senão numa esplanada enquanto se degusta um saboroso café?

Visto nesta perspetiva, o café deixa de ser um fim em si mesmo e torna-se num pretexto para uma agradável cavaqueira que se prolongará, por certo, muito para além dos dois ou três goles da chávena que temos à nossa frente… No final, na hora de ir embora, discute-se quem é que paga a conta, mas isso na realidade pouco importa, pois já se sabe de antemão que para a próxima vez será o outro a retribuir o gesto…

Apenas se espera que a oportunidade para o próximo café não demore demasiado tempo…

Luís dos Anjos