Os 3 círculos

A propósito da tendência que muitos de nós têm de querer controlar tudo nas suas vidas, quer seja a nível profissional ou familiar, e de ficarem ansiosos quando não o conseguem, recordo-me de, há alguns anos atrás, numa ação de formação ter ouvido uma opinião extremamente simples e acertada a propósito desta temática.

De uma forma muito simplista, a formadora dizia-nos que à nossa volta é possível imaginar três círculos. Num primeiro círculo estão aquelas coisas que controlamos, tudo aquilo que conseguimos mudar com a nossa intervenção: a gestão do nosso dinheiro, os nossos hábitos, as nossas compras, o nosso empenho no trabalho, a nossa postura perante a vida e as adversidades… Num segundo círculo estão aquelas coisas que nós não controlamos diretamente, mas que podemos, de alguma forma, influenciar. Finalmente, num terceiro círculo estão todas aquelas coisas sobre as quais não temos nem controlo nem influência: o trânsito que nos faz perder a paciência, a subida das taxas de juro do crédito à habitação, o mau tempo que nos estragou os planos para o fim de semana…

É, pois, extremamente importante saber enquadrar corretamente cada coisa no seu respetivo círculo para depois agir (ou não) em função disso. Feito esse enquadramento, as ações do nosso dia-a-dia devem centrar-se no primeiro e segundo círculos. Na prática, porém, o que muitas vezes acontece é que não conseguimos estabelecer uma correta distinção entre as coisas e acabamos por despender (ou, melhor dizendo, desperdiçar) mais tempo e energia a falar ou a queixar-nos daquelas coisas que não controlamos nem influenciamos e muito menos tempo e energia com aquilo que depende diretamente da nossa ação.

Afinal de contas, esta visão mais não é do que uma outra forma de explicar o que nos ensina a Oração da Serenidade: “…serenidade para aceitar as coisas que não podem ser mudadas, coragem para mudar aquelas que podem ser mudadas, e sabedoria para distinguir umas das outras”.

Luís dos Anjos