O que sabemos da história da nossa família?

A ideia já me tinha ocorrido por mais que uma vez, mas por falta de tempo ou de oportunidade nunca me tinha dedicado a ela. No outro dia, por um mero acaso, encontrei na Internet vários programas específicos para o efeito. Detive-me um pouco mais, fiz o download de um deles e iniciei a construção da árvore genealógica da minha família. Comecei pelo elemento mais novo, a minha filha, adicionei-lhe os pais e os avós, e fui completando a ficha de cada membro com a informação de que dispunha. Entusiasmado, continuei a inserir pessoas e a estabelecer as respectivas ligações. A falta de informações foi, naturalmente, aumentando à medida que fui recuando no tempo, mas consegui, ainda assim, registar cinco gerações, o que, embora parecendo muito, não me permitiu recuar muito mais do que cem anos.

Reflito um pouco sobre isto e assaltam-me várias perguntas. Afinal, o que sabemos da história da nossa família? Em que terras nasceram e em que condições viveram os nossos antepassados? Como era a sociedade no seu tempo? Que opções tiveram de tomar e de que forma essas opções influenciaram as suas vidas, e até a nossa? Infelizmente, parece-me que a grande maioria de nós não sabe responder a estas questões e não sabe porque simplesmente nunca conversou com os seus pais, avós ou bisavós sobre eles próprios e sobre a vida que tiveram…

Conhecer verdadeiramente a história da família é muito mais do que saber os nomes dos nossos antepassados. É esforçarmo-nos por preservar todo um património familiar riquíssimo e diversificado: fotografias de pessoas, lugares e acontecimentos, livros, objetos pessoais, usos e costumes, crenças e segredos de outros tempos.

Um dia as minhas filhas, e depois delas os meus netos, poderão (se assim o quiserem) continuar este trabalho e conhecer um pouco melhor quem foram, como viveram e por onde andaram os seus antepassados. E com tudo isto, certamente que também se conhecerão um pouco melhor a eles próprios.

Luís dos Anjos