O Principezinho

Pode parecer estranho, admito, mas é a verdade: até há duas semanas atrás ainda não tinha lido “O Principezinho”. E, olhando para trás, não encontro nenhuma razão especial para não o ter lido. Como todos os adolescentes lembro-me de ouvir referências ao livro, quer fosse entre colegas ou pela voz de algum professor, assim como também ouvi falar de (e li) “Fernão Capelo Gaivota”, de Richard Bach, provavelmente os dois livros mais referidos nos anos da nossa adolescência.

“O Principezinho” é um livro perfeitamente intemporal, escrito numa linguagem de absoluta simplicidade, que nos conta a história de um menino que vivia num pequeno asteróide, com os seus vulcões em miniatura e uma linda rosa vermelha, e que um dia, curioso por saber o que poderia existir noutros locais, resolve viajar por outros planetas. Nas suas viagens o Principezinho conhece, então, um rei que acredita governar as estrelas, um homem vaidoso, que só deseja ser admirado, um bêbado, que bebe para esquecer, mas o que tenta esquecer é a vergonha de beber, um homem de negócios, que pensa ser tão rico que acredita ser dono das próprias estrelas, um pobre acendedor de candeeiros que deveria ser admirado pela sua própria loucura porque insiste numa tarefa impossível e um geógrafo que desenha mapas durante todo o dia, mas que nunca saiu do seu asteróide. Finalmente, visita a Terra onde avista uma cerca de roseiras, o que o surpreende, pois até então pensava que a sua rosa era única no universo.

E assim, pelos relatos do Principezinho, vamos aprendendo o significado de valores como o bom senso, a justiça ou a simplicidade. Aprendemos também que é importante saber cativar, ou seja, “criar laços”, “uma coisa de que toda a gente se esqueceu”, como nos diz a raposa. E, finalmente, talvez a lição mais importante de todas, aprendemos que “só se vê bem com o coração, o essencial é invisível para os olhos”.

Luís dos Anjos