A vida numa pen

A grande maioria dos jovens que hoje navegam pela Internet e pelas redes sociais não terá sequer ideia, mas na década de 80, quando os computadores começaram pouco a pouco a chegar às nossas casas (para nunca mais nos deixarem, para o bem e para o mal), a forma mais comum de armazenamento de dados eram as disquetes de 5”1/4, designação que vinha do facto de medirem exatamente 5,25 polegadas (pouco mais de 13 cm). Eram frágeis, guardavam-se numa espécie de envelope e tinham uma capacidade que não chegava sequer a 1 MB (!). Alguns anos mais tarde chegaram as disquetes de 3,5 polegadas, mais pequenas e menos frágeis, depois os CD’s, os DVD’s e outros suportes menos conhecidos. Hoje, numa vulgar pen de 16 GB, que se compra em qualquer loja da especialidade por pouco mais de 20 €, e que nos cabe na palma da mão, podemos guardar milhares de fotografias, vídeos, programas ou livros. Em alternativa, podemos guardar certamente vários milhões de páginas escritas em Word, ou seja, provavelmente muito mais do que daria a história da nossa vida, se tivéssemos tempo para a escrever ao mesmo tempo que a vamos vivendo.

A verdade, porém, é que com esta crescente facilidade de armazenamento já não sabemos o que é organizar um álbum com as fotografias das últimas férias, guardamos as faturas da água, da luz e do telefone em ficheiros pdf e até o nosso extrato bancário passou a ser digital. Já não compramos recargas para a nossa agenda, nem escrevemos diários, e se temos algo para registar fazemo-lo no computador, onde nos vamos organizando em pastas e mais pastas. A pouco e pouco vamos transferindo toda a nossa vida e todas as nossas memórias para este mundo, supostamente sempre acessível, mas sem qualquer existência material. Um dia teremos toda a nossa vida numa pen. E depois, quem a irá conhecer?

Luís dos Anjos