A lua de Joana

Treze anos depois, e com uma perspectiva inevitavelmente diferente, pelo tempo que passou e pelo facto de agora ser pai, voltei a ler “A lua de Joana”. Escrito na década de 90, “A lua de Joana” retrata-nos a vida de uma jovem de 14 anos que vê a sua vida profundamente abalada pela morte da sua melhor amiga, vítima de overdose, e que não encontra em casa o apoio necessário para ultrapassar a situação.

A sua família, de classe média/alta, vive demasiado ocupada para se aperceber que ela está a crescer, que também tem problemas e inquietações e que necessita de muito mais do que uma boa situação económica para se sentir feliz. O pai, um reputado cirurgião completamente viciado no seu trabalho, sai de casa de manhã cedo, ainda antes de Joana acordar, e volta quase sempre quando ela já está deitada, sendo raras as ocasiões em que janta com a família. A mãe, dona de uma loja de roupa, leva uma vida absolutamente fútil, apenas se interessando por revistas, moda e festas. O irmão, que ao longo do livro vai sendo rotulado de “pré-histórico”, “traumatizado”, entre outras coisas, vive num mundo completamente à parte, só dele, e apenas troca com ela alguns (poucos) monossílabos. Nesta família, apenas a sua avó, que entretanto vem a falecer, parece reparar nela e preocupar-se com os seus problemas, sendo para ela uma verdadeira conselheira. E assim, numa caminhada lenta, mas fatal, Joana, a rapariga exemplar, em casa e na escola, vítima de uma completa falta de atenção por parte dos pais acaba, também ela, por entrar no mundo da droga.

A principal mensagem a retirar deste livro é a de que o tempo existe para ser passado acima de tudo com quem mais amamos, com quem precisa das nossas palavras, do nosso sorriso e do nosso apoio. No final da história o pai de Joana entra no quarto dela, tira o relógio de pulso e pousa-o sobre a mesa de cabeceira. “Agora tinha todo o tempo do mundo. Para quê?

Luís dos Anjos